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Pais Antenados #27: 13 coisas que você não deve dizer ao seu filho

 

Nem sempre a mensagem que os pais passam é aquela entendida pelas crianças. Saiba como e por que é preciso escolher bem as palavras antes de dar broncas e falar com o seu filho.

1)     Não rotule.

"Meus três filhos. Esse aqui é o ‘cabeça’ da família, entende tudo de videogame. Esse aqui não, é o palhaço - só sabe fazer palhaçada. Agora esse aqui a gente nem sabe, não abre a boca para nada". Mal sabem os pais que, ao fazerem esse tipo de apresentação clássica, eles estão rotulando os filhos e, muitas vezes, contribuindo para que eles sejam apenas isso. "Os pais são a referência da criança, então se o pai e a mãe que ela ama tanto estão dizendo que ela é aquilo, tem aí uma necessidade de preencher essa expectativa", explica Rosana Augone, psicóloga com especialização em psicodrama pedagógico, psicomotricidade e psicopedagogia. 

Essa questão de rotulação também ocorre em outras situações, como quando a mãe quer alertar a escola que o filho está malcriado em determinado dia: "hoje ele está péssimo. Já brigou lá em casa, não quis tomar banho, não quis por uniforme. Não está nada bem!". Por melhor que seja a intenção dela, é preciso saber a forma e a hora de dar esse recado - nunca perto do filho, apenas em particular com a diretora ou professora. "Não fale na frente dele, porque assim acaba impondo para ele uma condição que ele pode ter, mas quando chega aqui ele não quer mais. O filho não tem nem a chance de chegar na escola e fazer outra coisa", diz Rosana. 

Ainda que os filhos tenham características mais marcantes, é importante sempre contextualizar melhor, para que a criança perceba que ela é mais do que um simples rótulo e se sinta melhor representada. "A criança pode ter esse traço ou pode estar em uma fase, para se diferenciar do irmão. Porque ela tem essa plasticidade. Mas na hora que você rotula e põe uma forma ali, ela fica aprisionada", explica a psicóloga. 

Fale de outro jeito: "Olha, esse aqui é o fulano, o mais bagunceiro dos três, está na quinta série. Ele é muito bom em matemática, é muito brincalhão, apesar de não gostar muito de bola".
 

2)     Não compare. 
Em algum momento da criação, é quase inevitável que os pais soltem algum tipo de comparação entre os irmãos. A maioria das vezes, a intenção é mostrar o outro como exemplo: "olha como seu irmão é inteligente, você poderia se espelhar nele!". 

Para a psicóloga Rosana Augone, porém, a comparação entre filhos nunca é boa ou saudável, porque a criança não consegue se colocar no lugar do pai e entender isso - pelo contrário, ela se vê como uma decepção para os pais e acaba criando uma rivalidade entre irmãos. "Ela se sente como burra, que é pior do que o irmão, que o irmão é melhor do que ela", diz. 

Mais do que isso, a criança pode acabar se apropriando dessa característica, na busca de uma posição e diferenciação dentro da casa. "Muitas vezes, se a criança está perdida na identidade, ela acaba por tomar essa característica para ela. ‘Então, já que eu não vou conseguir ser tão bom quanto meu irmão, eu vou ser o pior: eu vou ser o péssimo, aquele que não sabe nada, aquele que vai mal na escola, que esquece de levar as tarefas, que na hora da prova erra tudo apesar de saber’", explica Rosana. 

A melhor forma de lidar com isso? Apontando as peculiaridades de cada um. "Sempre tentar reconhecer o que cada filho tem de bom", explica Luciana Fevorini, diretora escolar do Colégio Equipe. 

Fale de outro jeito: "Tenho três filhos, um diferente do outro. Esse aqui começou a escrever desde cedo, mas esse aqui já tocava guitarra como um rock star desde os 5 anos de idade".

 

3)     Não misture amor e castigo.
Muitos pais usam essa tática de vincular castigo à ideia de afeto na hora de dar limites para o filho. Mas para a psicóloga Rosana Augone, isso jamais deve ser feito, porque deixa a criança insegura e ansiosa. "Porque a criança entende que se ela fizer alguma coisa errada, os pais vão deixar de gostar dela. Nesse caso, ela não sente só a insegurança de fazer a coisa certa, de ser adequada, de ser aprovada, mas também a insegurança do amor, do afeto do outro", explica. 

É preciso deixar claro que há outras maneiras pelas quais o filho deve obedecer ao pai, seja porque ele é autoridade, porque não aceita aquele tipo de atitude, porque é errado, porque é ele que manda, porque é o limite. O importante é mostrar que "nada disso deve correr pela questão do amor. Você pode ficar desesperado, decepcionado, perdido, triste, magoado, se questionar sobre a educação deu... mas o fato é que você não vai deixar de amar o seu filho por causa disso", diz Rosana. 

A especialista também chama atenção para as consequências futuras desse tipo de criação - por exemplo, pessoas que não falam algo importante para o parceiro ou filhos por medo de perder o amor deles. "Esses adultos são frutos dos pais que diziam ‘olha, se você fizer isso eu não vou gostar mais de você’. É a criança interna do adulto se manifestando", explica a psicóloga. 

Fale de outro jeito: "Eu amo você, mas isso que você está fazendo eu não vou suportar. Eu vou segurá-lo e não vou deixar você fazer".

 

4)     Não desencoraje seu filho. 
"E se a gente fizer um carro movido à energia do vento, pai?". "Acho que queria fazer moda, mãe!". Confrontados com ideias mirabolantes ou desejos que não são os mesmos deles, os pais muitas vezes soltam frases que desencorajam os filhos e que podem acabar com os sonhos deles. 

Quando o pai corta abruptamente a ideia que surge do momento de pró-atividade da criança, com frases como "que coisa mais idiota, filha!", ela passa a preferir não comentar as ideias - ou mesmo não ter ideias nenhuma, já que os pais acham que é tudo bobagem. 

Outras frases como "você não vai ter coragem de pular de asa delta" ou "Imagina, isso aí não vai dar dinheiro, pode procurar outra profissão" também entram nessa categoria: em todas elas, os pais mostram uma descrença na imaginação, habilidades ou vontades dos filhos, que não só desmotivam a princípio, mas também podem comprometer a criatividade. 

Tanto para a psicóloga Rosana Augone quanto para a educadora Andrea Ramal, vale praticar um pouco de distanciamento antes de ir podando as ideias dos filhos e contornar a situação tentando levá-los a entender o seu ponto de vista. "Faça de conta que está falando com o filho do seu amigo. Você jamais falaria para ele ‘isso é bobagem, sai disso!’, por respeito ao seu amigo. Você tentaria conversar, entender o porquê a criança está com aquela ideia, se ela realmente está apta para aquilo etc", explica Rosana. 

Para Luciana Fevorini, diretora escolar do Colégio Equipe, é preciso fazer perguntas para saber como essa ideia será executada e mostrar o caminho preciso para que o projeto dê certo. Mesmo que o produto seja um fracasso, a tentativa e a frustração do resultado não esperado também geram um aprendizado. 

Fale de outro jeito: "Nossa, que ideia tão criativa! Como você pensou nisso? Será que você teria coragem? Você pensa mesmo se vai querer e quando tiver idade para isso, nós vamos fazer isso juntos"; "Você foi bem criativo, mas o resultado não ficou muito bom”.

 

5)     Não ridicularize as atitudes de seu filho. 
Ser uma pessoa prestativa, ingênua ou um bom amigo não devem ser características ruins ou depreciadas - principalmente quando o seu filho as considera aspectos fortes dele mesmo. É preciso valorizar essas qualidades relacionadas à ética e à integridade. "As pessoas altruístas, que fazem mais pelos outros, têm mais chances de ser felizes, costumam ter mais amigos e estar mais de bem com a vida", explica Andrea Ramal em seu livro Filhos bem-sucedidos (Editora Sextante). 

Os pais que ridicularizam esse tipo de comportamento ou fazem essa crítica acabam incentivando apenas a competitividade entre as crianças - ainda que a mensagem que queiram passar seja que o filho tenha mais cuidado com as pessoas ao redor e não se deixe enganar pelos outros. É preciso ter uma conversa mais profunda, que não desmotive esses valores no nele, mas também alerte para os perigos e as malícias de outras pessoas. 

Fale de outro jeito: "Eu sei que você valoriza as qualidades dos outros, é bom ser assim, mas tome cuidado porque algumas pessoas são mal intencionadas".

 

6)     Não proteja seu filho do fracasso.

Muitos pais usam esse tipo de frase na tentativa de proteger os filhos da decepção ou frustração. Mas, independentemente de o jogo ser mais avançado que a idade do filho ou de a criança não estar apta a vencê-lo, ao fazer isso, os pais passam a ideia - e os filhos entendem - de que diante de desafios não tem problema desistir. 

A realidade, porém, é justamente o contrário. É preciso ensinar os filhos desde pequenos que os erros são como oportunidades de progresso e que esforço e dedicação são essenciais para conseguir se autossuperar e ter persistência para alcançar os seus objetivos. "Associar a diversão, uma coisa positiva, ao esforço é muito bom, porque cria pessoas mais dispostas a realmente enfrentar os desafios", explica a educadora Andrea Ramal. 

A frase "Meu filho não estudou nada e tirou nota 10" também entra nesse caso, já que sugere que pessoas inteligentes não precisam estudar muito que mesmo assim tiram notas boas - quando, na verdade, mais do que o resultado, o importante é elogiar e valorizar o esforço. 

Fale de outro jeito: "Que divertido! Vamos precisar nos esforçar muito para acabar com essa brincadeira difícil!"; "Esse desafio está muito complicado para a sua idade, mas vamos voltar nele quando você tiver condições".

 

7)     Não seja incoerente.
Por mais que o pai esteja querendo passar a mensagem correta, o que a criança entende é só a parte "negativa" da frase. "Esse ‘eu mesmo não lia’ a criança vai ouvir muito mais do que o ‘ler é importante’. Ela até se justifica falando que os próprios pais não têm esse hábito", explica Luciana Fevorini, diretora escolar do Colégio Equipe, em São Paulo. 

Isso acontece porque os pais são os exemplos da criança, daí o peso recair muito mais na atitude do que na fala. A mesma coisa acontece com outras ideias, como "Matemática é chato mesmo, eu não gostava", que acabam reforçando uma aversão à escola e aos estudos. É muito difícil conseguir que o seu filho goste de matemática, de ler, de fazer esporte, se os pais não praticam aquilo que pregam. 

Por isso é preciso tomar cuidado ao fazer referências sobre a escola. Estimule o gosto pelo estudo e dê o exemplo de que a escola é algo necessário. 

Fale de outro jeito: "Na sua idade, eu também sentia isso, mas sabe que depois eu percebi que ler é superimportante e senti muita falta de não ter esse hábito quando criança? Tive muitas dificuldades por causa disso, estudei muito sozinho e quebrei muito a cabeça".

 

8)     Não rejeite.

"Você me mata de desgosto", "eu não quero mais te ver", "saia daqui". Para Luciana Fevorini, diretora escolar do Colégio Equipe, o problema aqui não é nem o filho, mas sim os pais - que são autocentrados. "Esse tipo de frase mostra adultos que estão focados em si mesmos e mostra até uma certa indiferença dos pais", explica ela. 

"Se você fechar a porta do seu quarto, sentar e falar para você mesma ‘esse moleque me mata de desgosto’, já é melhor", diz a especialista. Afinal, não é algo que os filhos precisam ouvir dos pais. E quando o fazem, entendem que são um lixo - "eu mato a minha mãe de desgosto" -, e têm certeza que os pais não gostam mais deles - "já que eles não querem mais me ver, me querem longe deles". Daí eles se sentirem rejeitados e, na maioria das vezes, reagirem com agressividade. 

Portanto, não fale coisas desse tipo para o seu filho. "Se o pai está se sentindo assim, ele próprio tem que pensar o que está acontecendo que não está sentindo prazer em criar o filho", explica Luciana. 

Fale de outro jeito: "Filho, espere um pouco, papai precisa de um tempo para se acalmar".

 

9)     Não faça chantagem.
A ideia de mostrar reconhecimento por obedecer ao pai pode até parecer interessante, mas a verdade é que ficar premiando cada gesto que o filho faz revela uma educação pela chantagem. "Se ele aprende isso, mais tarde vai fazer o contrário: ‘eu só vou para a escola se você me der o carrinho!’", explica a psicóloga Rosana Augone. 

A criança deve aprender que é preciso comer tudo porque é saudável e porque os pais, autoridades da casa, assim o querem, assim como ela deve fazer a lição de casa porque é importante e ajuda nos estudos - não por causa de um prêmio por algo que deveria ser uma obrigação. 

Reconheça o esforço e elogie e premie as atitudes, não tanto os resultados. 

Fale de outro jeito: "Você precisa comer tudo porque precisa ficar forte e saudável, para poder estudar melhor e ter disposição para brincar!"

 

10)  Não subestime a inteligência de seu filho.

A frase, aparentemente, não tem nada de errado e parece não ser uma ofensa para o filho. Mas o problema dela está na palavra "ainda". "É apenas uma expressão, mas passa uma série de conceitos e julgamentos", explica a educadora Andrea Ramal. 

É por causa desse termo, em uma situação de estresse e impaciência dos pais, que a criança entende que ela é lenta, não é inteligente, que demora a perceber as coisas. 

Para a psicóloga, o melhor é passar essa responsabilidade da explicação para os pais, e não para os filhos, mostrando que o erro foi na forma como a questão foi explicada. 

Fale de outro jeito: "Eu não expliquei direito. Deixa eu tentar de novo".

 

11)  Não deprecie seu filho. 
"Seu burro!", "sua gorda!". São frases que parecem muito fortes e pouco prováveis de saírem da boca dos pais, mas em um momento de tensão ou impaciência frases que agridem a criança do ponto de vista físico ou moral acabam escapando. Ou pelo simples fato de o pai querer alertar o filho sobre o seu estado de saúde, mas fazendo-o dessa forma inadequada. 

Para a criança, ouvir esse tipo de comentário agressivo gera uma insegurança e uma dúvida em relação ao afeto da família por ela. "No geral, as palavras dos pais pesam muito mais do que a de um colega de classe que fala a mesma coisa. A criança se questiona: ‘será que meus pais não gostam de mim porque eu sou gordo?’", diz Luciana Fevorini, diretora escolar do Colégio Equipe. 

Achar uma forma mais carinhosa e delicada para dizer esse tipo de questão é a melhor saída. "Você pode até falar isso, mas uma coisa é falar de uma forma afetiva e outra é você agredir com essa verbalidade", explica a especialista. 

Fale de outro jeito: "Você precisa comer menos, filho, porque a sua saúde está em jogo".

 

12)   Não coloque seu filho acima dos outros.

A professora deixou a criança sem intervalo porque ela ficou a aula toda dormindo, se distraindo ou importunando os amiguinhos. O pai, ao invés de procurar entender a questão, já se posiciona ao lado do filho e contra a escola, desautorizando o professor e soltando esse tipo de frase. 

Em seu livro Filhos bem-sucedidos (Editora Sextante), a educadora, escritora e ex-consultora do MEC Andrea Ramal explica que dizer que a professora é uma carrasca, que a matéria é chata ou que ninguém consegue entender esse conteúdo permite que a criança se isente da sua responsabilidade como aluno. "É importante fazer o filho pensar no resultado de suas atitudes", defende. 

Nesse caso, ao contrário de desestimular o desenvolvimento do filho e contribuir para a sua baixa autoestima, o pai acaba dando a ideia de que o filho está sempre certo e o faz sentir-se autorizado a quebrar regras. "Ao invés de frases que o deixam inseguros, eles entendem que ‘meu pai e minha mãe me defendem de qualquer bobagem que eu fizer’", explica Luciana Fevorini, coordenadora escolar do Colégio Equipe. 

Essa tampouco é uma boa forma de educar o filho, já que ensina a criança a jogar com as regras, colocar-se acima dos outros e não respeitar autoridades, sentindo-se superprotegida pelos pais. "As regras escolares são um pouco da regra do mundo público, da vida em sociedade. E isso pode levar a criança a se comportar inadequadamente na hora da convivência social", diz Luciana. 

Fale de outro jeito: "Por que você não estava interessada na aula? Você já pensou que o castigo da professora é por causa da sua postura na sala de aula?"

 

 13)   Não banalize o amar. 

A psicóloga Rosana Augone classifica esse tipo de frase como uma moda que atinge alguns pais que a cada cinco minutos ficam dizendo aos filhos que os amam, pedindo carinho e beijo, explicitando para o mundo o quanto o filho é importante e querido por eles. Mas o que há de ruim nisso? 

"É importante dizer eu te amo? Claro que é. Mas não é de cinco em cinco minutos, dez vezes seguida, beijando etc. Assim fica uma coisa exaustiva, que banaliza o amar", diz. 

Esse tipo de atitude pode levar a criança a se achar o centro do mundo e crescer com uma postura inadequada. "Isso dificulta a criança a sair da fase egocentrada (ao redor de 3 anos), porque ela é tão amada e ainda os pais fazem tudo o que ela quer, presenteiam, não põe limites. Ela vai ficando desagradável para conviver com outras pessoas", explica a especialista. 

Para Luciana Fevorini, coordenadora escolar do Colégio Equipe, o problema nesse caso está centrado nos pais e leva a uma chantagem emocional da criança. "Em geral, eu vejo isso mais como uma necessidade mais do adulto do que da criança. E o que eu acho que não é legal é porque torna a criança um objeto das suas necessidades, o que não a ajuda a ter uma independência, uma autonomia", diz. 

Fale de outro jeito: "Eu te amo, filho" sempre e quando necessário.



 
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